Os estilos que marcaram época

Estilos de arquitetura são tipos de classificações utilizadas para identificar os locais e períodos de tempo ao qual pertencem as obras arquitetônicas.

Eles são uma forma artística de representação do comportamento e dos costumes de um povo e de uma época. Por isso, sua estética, proporções, usos e aplicações de materiais e técnicas funcionais e estruturais caracterizam cada estilo em particular.

A seguir mostraremos os alguns dos estilos que existiram ao longo da história:

  • Arquitetura do Egito
  • Arquitetura Grega
  • Arquitetura Romana
  • Arquitetura da Idade Média
  • Arquitetura Romântica
  • Arquitetura Gótica
  • Arquitetura Barroca
  • Arquitetura Neoclássica
  • Arquitetura Moderna
  • Arquitetura Pós-Moderna
  • Arquitetura Contemporânea
Arquitetura do Egito

A arquitetura egípcia compreende um período que vai de 4000 a.C. a 30 a.C..

É a partir de 3650 a.C., com os faraós da III à VI dinastias, que inicia a época das famosas pirâmides. Arquitetonicamente, elas se dividem em dois tipos, de degraus e lisas.

A primeira pirâmide construída é a Vermelha, em Dahsur. Mas, o primeiro grande edifício de pedra, localiza-se em Sacara, lugar das construções funerárias mais antigas.

Pirâmide de degraus

A pirâmide de degraus projetada pelo arquiteto Imhotep foi muito importante na história da arquitetura do Egito, pois se tratava de uma evolução das mastabas.

Mastaba

Estas, por sua vez, eram túmulos profundos, de base retangular e forma trapezoidal, feitos em tijolos de lama.

Depois disso, as proporções de templos religiosos, hipogeus, cenotáfios e outros, se tornaram maiores, evoluindo para complexos conjuntos edificados.

Um exemplo é a Necrópole de Gizé, onde estão as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, além da Grande Esfinge, da IV dinastia – elas são consideradas umas das sete maravilhas do mundo antigo.

 Necrópole de Gizé

Embora houvessem lugares destinados para moradias, estábulos, oficinas e demais edificações, a maior parte das construções egípcias era de uso religioso.

Qualquer edifício civil recebia menos atenção dos construtores e era feito com materiais pouco duráveis.

Já os grandes templos, como de Lúxor e de Karnak, eram volumes sólidos, resistentes, que se adaptavam melhor às condições do meio.

Templo de Karnak

Arquitetura em Estilo Clássico

A arquitetura em estilo clássico refere-se ao período conhecido como ‘Antiguidade Clássica’, compreendendo, principalmente, o apogeu da cultura grega e romana. Mas, alguns estudiosos também estendem este termo para toda a arte que foi inspirada nestes povos, como a renascentista e a neoclássica.

Arquitetura Grega

Os gregos antigos se destacaram muito no campo das artes.

O período mais importante do desenvolvimento da arquitetura grega foi entre os séculos VII a.C. e IV a.C.

Na península da costa mediterrânea, próxima à Turquia, estão os melhores exemplares, como o grande templo em mármore do Partenon. Ele foi dedicado à deusa Atena e erguido pelos construtores Ictínio e Calícrates, em 447 a.C..

Partenon

s características mais marcantes da arquitetura grega são a racionalidade, o rigor e a precisão dos elementos geométricos, matematicamente perfeitos.

Estes traços devem-se às influências da cultura micênica e de culturas mediterrâneas. Mas, questões como a ótica foram mais bem aperfeiçoadas; além do uso de pórticos e colunas, estabelecendo as ordens dórica, jônica e coríntia.

Colunas Dórica, Jônica e Coríntia

Além dos templos, nas Pólis também havia palácios, como o Mégaron, e outras edificações:

Megaron

A ágora, uma praça rodeada de construções públicas onde aconteciam os debates;

Ágora nos dias de hoje

As stoas, ruas cobertas onde se vendiam mercadorias;

Stoa nos dias de hoje

Os anfiteatros ao ar livre, em forma de semicírculo, sobre declives naturais.

Anfiteatro grego

Quanto às moradias, mesmo as do período helenístico eram modestas – em tijolo cru e madeira.

Arquitetura Romana

arquitetura romana sofreu influência das culturas grega e etrusca.

Era igualmente luxuosa e grandiosa. Mas, foi mais expressiva na construção de templos, além outras obras como:

  • Mosteiros
Mosteiro Santi Quattro Coronati
  • Bibliotecas
Biblioteca de Celso
  • Circos
Circus Máximus
  • Hipódromos
Hipódromo de Tiro
  • Aquedutos
  • Pontes
Ponte Céstio
  • Termas
Terma Romana

E todas estas construções eram ricamente decoradas com estátuas, mosaicos, pinturas e estuques.

Os romanos também inovaram introduzindo na arquitetura novos materiais, como o cimento, e novas técnicas, como o arco.

Eles conservaram muitas das tradições anteriores, mas acrescentaram outras – as ordens toscana e composta. Além dos templos, como o Panteão, construído em Roma, aproximadamente no ano de 115, existiam outros modelos de construções nas cidades.

Os arcos, como o de Constantino, do ano de 312, serviam para comemorar as vitórias de batalhas.

Os anfiteatros, como o Coliseu, do ano 70, eram redondos, com vários pavimentos, e com marcados arcadas e colunas.

Coliseu

E as casas eram desenvolvidas em volta de espaços abertos, com direito a átrio, peristilo, beldeum – uma terma em escala menor.

A arquitetura romana também influencia grandes obras até hoje, onde temos como exemplo os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro.

Arcos da Lapa

Estilos de arquitetura da Idade Média

Arquitetura Romântica

A arquitetura romântica surgiu na Europa, na região da Normandia, durante o século X.

Ela foi inspirada nos estilos de arquitetura do período clássico, principalmente dos romanos. A ideia dos artistas era se desvencilhar de certas convenções em favor da liberdade de expressão. Só que, ao mesmo tempo, eles foram contraditórios.

No final do século XVIII, com o processo de industrialização, materiais como o ferro e o aço já eram altamente empregados na construção civil.

Acabou que essa nova forma de expressão se tornou, com o tempo, algo menos expressivo do que se pretendia. Mesmo assim, os românticos incorporaram vários conhecimentos à arquitetura – os acumulados por povos longínquos, como os chineses, os indianos e os africanos.

As construções românticas caracterizam-se por sua personalidade. São estruturas irregulares, de geometrias complexas, com planos em movimento – alguns em curvas.

Seus criadores abusaram dos efeitos de luz e das decorações pitorescas para atrair a atenção dos observadores, sensibilizando-os e emocionando-os. Não há como comparar os interiores do romantismo com os de outros estilos de arquitetura.

Ópera Garnier
Castelo de Neuschwanstein
Palácio de Westminster
Arquitetura Gótica

A arquitetura gótica surgiu na Europa, durante o século XII.

Ela é popularmente chamada, no meio acadêmico, de “arte das catedrais”. Isto porque, durante este tempo foram construídas muitas catedrais, igrejas, basílicas e mosteiros.

Foi o resultado de uma visão teocêntrica – Deus no centro do mundo – aplicada pela religião católica. Acreditava-se que sem lugares corporificados o poder se dissiparia, assim como a fé.

O gótico rompeu com todas as ideias dos estilos de arquitetura anteriores. Para começar, as plantas dos templos eram em formato de crucifixo.

Os monumentos eram verticalizados, com torres pontiagudas e esguias. Suas paredes eram finas e leves.

Os arcos de ogiva, arcobotantes, abóbadas cruzadas e colunas estreitas ajudavam as construções a terem dimensões mais altas, mas ainda em formatos discretos e leves.

As igrejas também eram mais bem iluminadas. A ornamentação também estava incorporada em janelas, paredes e portas. Havia belíssimos vitrais; e as rosáceas, colocadas sobre os portões de entrada.

Um tipo de escultura muito utilizada nesse período eram as gárgulas.

Catedral de Saint-Denis
Catedral de Notre Dame
Catedral de Chartres
Catedral de colônia

O estilo gótico possui obras ligadas à religião assim como a arquitetura sacra, que além das construções, sua arte também é voltada para a fé religiosa. Confira em nosso post essa ligação entre a arquitetura, a arte e o divino.

Estilos de arquitetura da Idade Moderna

Arquitetura Barroca

O barroco é um dos estilos de arquitetura que se inicia na Europa, a partir do século XVII, e espalhando-se também pela América Latina.

Assim como o gótico, sua expressão típica eram as igrejas, as catedrais e os mosteiros – construídos em maior quantidade durante o movimento de Contra Reforma, em resposta à Reforma Protestante. No Brasil, essa influência está evidente, principalmente, em Ouro Preto.

Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto)

O estilo da arquitetura barroca é inconfundível. As igrejas eram marcadas por abóbadas, arcos e contrafortes. Eram extravagantes e imponentes, com tetos elevados, bem elaborados e com elementos que davam uma dimensão de infinito.

As janelas também eram amplas. O jogo de cheios e vazios das fachadas anunciavam uns interiores sempre rebuscados, com muitas pinturas e esculturas dramáticas.

Diferente de outros estilos, o barroco destacava o dinamismo através de diferentes efeitos visuais. Curvas e espirais faziam oposição à ideia de estática dos prédios, provocando o imaginário do observador.

Interior da Igreja de São Francisco com 800 kg de ouro

As paredes e colunas transmitiam uma impressão de poder e movimento. Suas linhas se entrecruzavam e retorciam, formando planos ora côncavos, ora convexos e terminando em lindas cúpulas.

Além da contribuição para a arte sacra, os arquitetos barrocos desenvolveram outros programas. A começar pela revolução urbanística que fizeram.

Houve reordenamentos mais planejados, além da criação de vários parques e jardins importantes, a grande maioria circundante aos edifícios. E também foram construídas várias mansões, em uma clara demonstração do pensamento ostentoso.

Palácio Carignano
 Piazza di San Pietro
Arquitetura Neoclássica
Museu Britânico

A arquitetura neoclássica foi um movimento cultural surgido na Europa, no final do século XVIII, em reação aos estilos de arquitetura renascentista.

Ele coincidiu com a Revolução Industrial e as artes Decó, Nouveau, neogótico e eclético. Foi caracterizado por diferentes correntes internacionais, conforme as tradições estabelecidas em cada país. Acabou se difundindo pela Rússia, Estados Unidos e América Latina.

O neoclássico propõe uma retomada dos valores da cultura clássica. Por exemplo, a racionalidade das formas e a gramática formal de elementos de construção tradicionais, só que adaptados à realidade moderna.

Esse pensamento foi influenciado pelos iluministas, que desejavam redescobrir o “natural”. Os significados de “razão” e “progresso” pareciam mudar, instigando ideias de liberdade e valorização do indivíduo.

Observa-se, na arquitetura neoclássica, a tentativa dos projetistas em resolver problemas da prática construtiva.

Empregam-se materiais mais nobres, como o mármore, e faz-se o uso do concreto e, posteriormente, do metal.

São características também as presenças de abóbadas de berço e de aresta, cúpulas, pórticos colunados coríntias, frontões triangulares, balaústres, platibandas, entre outros.

Casa Branca
Palácio do Itamaraty (Rio de Janeiro)

Estilos de arquitetura da Idade Contemporânea

Arquitetura Moderna

A arquitetura moderna não é apenas um movimento, mas um conjunto de escolas arquitetônicas. Elas surgiram entre o final do século XIX e a metade século XX, especialmente entre os anos de 1920 e 1960.

Essa foi à consequência da reação europeia de buscar novas soluções para os problemas que vinham sendo gerados pelas mudanças sociais e econômicas desde a Revolução Industrial.

Um dos princípios básicos do modernismo era rejeitar toda arquitetura anterior. Descendentes da escola alemã Bauhaus de Arquitetura, personalidades como Walter Gropius, Le Corbusier e Frank Lloyd Wright pregaram que o artista não era diferente do artesão.

E também ajudaram a arquitetura a resgatar, por um tempo, seu prestígio. Isso fez com que as novas gerações estivessem mais engajadas em mudar o mundo.

Portanto, mais do que ser um estilo, o modernismo era uma atitude ética comportamental. Ela se estendeu pelas artes visuais, literárias e outras.

Assim se viu na Semana de 1922, no Brasil. “Menos é mais” e “a forma segue a função”, sintetizaram Mies Van der Rohe e Louis Sullivan. Nada de repertórios do passado, hábitos antiquados, propriedade privada e crença de um homem universal.

A ordem era outra. Vertentes como o ‘International Style’ e ‘Arquitetura Orgânica’ buscavam o racionalismo, funcionalismo e economia.

Espaços abstratos, geometria definida, nenhum ornamento – com exceção dos painéis decorativos; além de materiais aparentes, pilotis, panos de vidro contínuos e muito mais, pregados pelos cinco pontos da arquitetura moderna.

Villa Savoye de Le Corbusier

Esta essência está presente nos trabalhos de Lúcio CostaOscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha.

Museu das missões – Lúcio Costa
Auditório do Ibirapuera – Oscar Niemeyer
Arquitetura Pós-Moderna

Arquitetura pós-moderna é um termo designado para uma série de novos estilos de arquitetura iniciados a partir do final da década de 1920.

Foram três vertentes:

  • Historicista;
  • Regionalista;
  • High-tech.

Seu auge foi na década de 1950, com o início das investigações a respeito das culturas populares e construções vernaculares.

No Brasil, tal debate não existiu. Apenas adotaram-se os elementos da manifestação americana.

Os arquitetos pós-modernistas reavaliaram o papel da história e dos elementos naturais nas criações arquitetônicas.

Criticaram a austeridade moderna. Propuseram uma melhor relação com o entorno dos edifícios, entre o novo e o antigo; e entre alturas, escalas, e modulações. A multiplicidade de usos e principalmente, a personalização de projetos.

As artes pós-modernistas trouxeram de volta o “individualismo subjetivo”. Ou seja, elas deram mais liberdade para que os criativos expressassem sua visão e também que os clientes participassem da concepção das obras, contribuindo com as suas opiniões.

Desde então, os arquitetos preocupavam-se mais com os diferentes tipos de públicos que habitavam os espaços por eles construídos.

O pós-moderno (…) privilegia a ‘heterogeneidade e a diferença como forças libertadoras na redefinição do discurso cultural’. A fragmentação, a indeterminação e a intensa desconfiança de todos os discursos universais ‘totalizantes’ são o marco do pensamento pós-moderno.

David Harvey.

Claro que, o pós-modernismo não deve ser entendido como uma antítese ao modernismo. Trata-se de uma evolução natural.

Porém, alguns arquitetos passaram toda a carreira criticando com ironia a visão dos modernistas, através de padrões de ornamento e formas de composição antigas.

Apenas moldavam os espaços segundo objetivos e princípios estéticos, sem pensar num objetivo social abrangente.

The Wave (Dinamarca)
Ópera de Sydney
Cidade das Artes e das Ciências
Arquitetura Contemporânea

E no fim desta lista de estilos de arquitetura – mas não menos importante – temos a arquitetura contemporânea.

Nas últimas décadas do século XX, surgiram várias tendências artísticas divergentes, como a sustentável, a futurista e o desconstrutivismo.

Algumas buscavam seguir, novamente, o raciocínio moderno – no Brasil, por exemplo, tendeu-se para o minimalismo, outras assumiram um comportamento mais pluralista.

Pode-se dizer que a arquitetura contemporânea é um movimento marcado por diferentes influências. E assim é desde os anos oitenta até os dias atuais.

Utilizam-se novos elementos e materiais – como os naturais e os recicláveis – e também novas tecnologias construtivas, sem que sejam, obrigatoriamente, as mesmas em todas as formas de expressão.

Contudo, os projetistas contemporâneos vão manifestar nas obras preocupações em comum, como a funcionalidade, o conforto térmico, o design dinâmico e a economia verde. Neste período, aparecem construções em formato irregular, ambientes mais abertos e janelas de grandes dimensões.

São destaque os trabalhos dos arquitetos Rem KoolhasTadao Ando, Richard Meier, Álvaro SizaRobert VenturiFrank Gehry, entre outros.

Prédio sede da CCTV – Rem Koolhaas
Asian Museum of Modern Art – Tadao Ando
Igreja do Jubileu – Richard Meier
Fundação Iberê Camargo – Alvaro Siza

Agora que você já conheceu os principais estilos arquitetônicos, conta pra gente: Qual você mais gostou?

Fonte: Viva Decora